segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Vinicius de Moraes (ABC...M)


ABC...M(oraes)




Mar











Na melancolia de teus olhos
Eu sinto a noite se inclinar
E ouço as cantigas antigas
Do mar.

Nos frios espaços de teus braços
Eu me perco em carícias de água
E durmo escutando em vão
O silêncio.

E anseio em teu misterioso seio
Na atonia das ondas redondas
Náufrago entregue ao fluxo forte
Da morte.

Vinicius de Moraes

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Biografia de Frederico Garcia Lorca (ABC letra L)

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A vida e obra de García Lorca pelo que foram e são adquiriram uma grandeza mítica com o poeta ainda vivo, dimensão que aumentou com a sua morte prematura e trágica, a Guerra Civil espanhola de 1936-1939, o silenciamento que o poder franquista impôs à sua obra, à sua ida, à sua morte.
Hoje, passados, mais de 60 anos sobre a madrugada de Agosto de 1936 em que o poeta se tornou um dos símbolos da Espanha martirizada, investigada a sua vida e sujeita a notáveis esforços de revisão textual a sua obra, podemos ter do poeta uma imagem desmistificada, em que ele deixou de ser alguém puramente mágico e o poeta os ciganos, para ser visto como um homem perturbado pelas suas inquietações íntimas e anseios artísticos múltiplos, consciente dos meios que procurava para a obra que escreveu com febril entusiasmo e domínio total os elementos que empregava, que fizeram dele um dos maiores escritores espanhóis do século XX. A sua obra desvenda alguém com o coração ferido, dominado sempre por agouros e ameaças de morte, para quem o amor raramente é plenitude, sendo um espaço desolado e sombrio.


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Prémio Nobel da Literatura 2015

A prémio Nobel da Literatura 2015, Svetlana Alexievitch, definiu hoje o regime da Bielorrússia como uma "ditadura suave" na véspera das eleições presidenciais no seu país, dirigido há 21 anos pelo Presidente Alexander Lukashenko.

ler mais em: 
http://www.tsf.pt/internacional/interior/nobel_da_literatura_diz_que_bielorrussia_vive_uma_ditadura_suave__4827818.html

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Formar Leitores para Ler o Mundo: depoimentos na Casa da Leitura



“No âmbito do Congresso Internacional de Promoção da Leitura, o projecto Gulbenkian Casa da Leitura decidiu lançar um amplo debate junto de especialistas portugueses, brasileiros e espanhóis, a propósito do seu tema central: «Formar Leitores para Ler o Mundo». Convocámos leitores, escritores, promotores de leitura, professores, ilustradores, bibliotecários, investigadores, mas também fotógrafos, cientistas, leitores, editores e livreiros, quebrando deste modo as barreiras físicas da conferência, lançando o debate antes mesmo do início da conferência.
Ler mais em http://magnetesrvk.no-ip.org/casadaleitura/portalbeta/bo/documentos/depoimentos2.pdf

terça-feira, 15 de setembro de 2015

ABC...K

NATURALIDADE

Europeu, me dizem.

Eivam-me de literatura e doutrina
europeias
e europeu me chamam.

Não sei se o que escrevo tem a raiz de algum
pensamento europeu.
É provável... Não. É certo,
mas africano sou.
Pulsa-me o coração ao ritmo dolente
desta luz e deste quebranto.
Trago no sangue uma amplidão
de coordenadas geográficas e mar índico.
Rosas não me dizem nada,
caso-me mais à agrura das micaias
e ao silêncio longo e roxo das tardes
com gritos de aves estranhas.

Chamais-me europeu? Pronto, calo-me.
Mas dentro de mim há savanas de aridez
e planuras sem fim
com longos rios langues e sinuosos,
uma fita de fumo vertical,
um negro e uma viola estalando.
Rui Knopfli, O país dos outros, 1959


Consulta em 15/09/2015 em http://folhadepoesia.blogspot.pt/2013/06/o-euromocambicano-rui-knopfli.html 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

ABC de poemas letra J

Inteligência, dá-me o nome exacto das coisas


Inteligência, dá-me 
o nome exacto das coisas! 
... Minha palavra seja 
a própria coisa, 
criada por minha alma novamente. 


Que por mim cheguem todos 
os que não as conhecem, às coisas; 
que por mim cheguem todos, 
os que já as esquecem, às coisas; 
que por mim cheguem todos 
os próprios que as amam, às coisas... 
Inteligência, dá-me 
o nome exacto, e teu, 
e seu, e meu, das coisas. 



Juan Ramón Jiménez, in "Eternidades" 
Tradução de José Bento
Consulta em linha 11 de setembro de 2015 em URL: