Mostrar mensagens com a etiqueta literatura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta literatura. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

ABC ... O

Aos Vindouros, se os Houver...

Vós, que trabalhais só duas horas 
a ver trabalhar a cibernética, 
que não deixais o átomo a desoras 
na gandaia, pois tendes uma ética; 

que do amor sabeis o ponto e a vírgula 
e vos engalfinhais livres de medo, 
sem peçários, calendários, Pílula, 
jaculatórias fora, tarde ou cedo; 

computai, computai a nossa falha 
sem perfurar demais vossa memória, 
que nós fomos pràqui uma gentalha 
a fazer passamanes com a história; 

que nós fomos (fatal necessidade!) 
quadrúmanos da vossa humanidade. 

Alexandre O'Neill, in 'Poemas com Endereço

Vincius de Moraes lê Pablo Neruda


terça-feira, 10 de novembro de 2015

ABC ...N de Neruda

Não Me Sinto Mudar


Não me sinto mudar. Ontem eu era o mesmo.
O tempo passa lento sobre os meus entusiasmos
cada dia mais raros são os meus cepticismos,
nunca fui vítima sequer de um pequeno orgasmo

mental que derrubasse a canção dos meus dias
que rompesse as minhas dúvidas que apagasse o meu nome.
Não mudei. É um pouco mais de melancolia,
um pouco de tédio que me deram os homens.

Não mudei. Não mudo. O meu pai está muito velho.

As roseiras florescem, as mulheres partem
cada dia há mais meninas para cada conselho
para cada cansaço para cada bondade.

Por isso continuo o mesmo. Nas sepulturas antigas
os vermes raivosos desfazem a dor,
todos os homens pedem de mais para amanhã
eu não peço nada nem um pouco de mundo.

Mas num dia amargo, num dia distante
sentirei a raiva de não estender as mãos
de não erguer as asas da renovação.

Será talvez um pouco mais de melancolia
mas na certeza da crise tardia
farei uma primavera para o meu coração.

Pablo Neruda, in 'Cadernos de Temuco'
Tradução de Albano Martins

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Vinicius de Moraes (ABC...M)


ABC...M(oraes)




Mar











Na melancolia de teus olhos
Eu sinto a noite se inclinar
E ouço as cantigas antigas
Do mar.

Nos frios espaços de teus braços
Eu me perco em carícias de água
E durmo escutando em vão
O silêncio.

E anseio em teu misterioso seio
Na atonia das ondas redondas
Náufrago entregue ao fluxo forte
Da morte.

Vinicius de Moraes

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Biografia de Frederico Garcia Lorca (ABC letra L)

Resultado de imagem para federico garcia lorca biografia
http://fotos.sapo.pt/2zsQibnwF43JKHru6mb0/x435
A vida e obra de García Lorca pelo que foram e são adquiriram uma grandeza mítica com o poeta ainda vivo, dimensão que aumentou com a sua morte prematura e trágica, a Guerra Civil espanhola de 1936-1939, o silenciamento que o poder franquista impôs à sua obra, à sua ida, à sua morte.
Hoje, passados, mais de 60 anos sobre a madrugada de Agosto de 1936 em que o poeta se tornou um dos símbolos da Espanha martirizada, investigada a sua vida e sujeita a notáveis esforços de revisão textual a sua obra, podemos ter do poeta uma imagem desmistificada, em que ele deixou de ser alguém puramente mágico e o poeta os ciganos, para ser visto como um homem perturbado pelas suas inquietações íntimas e anseios artísticos múltiplos, consciente dos meios que procurava para a obra que escreveu com febril entusiasmo e domínio total os elementos que empregava, que fizeram dele um dos maiores escritores espanhóis do século XX. A sua obra desvenda alguém com o coração ferido, dominado sempre por agouros e ameaças de morte, para quem o amor raramente é plenitude, sendo um espaço desolado e sombrio.


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Prémio Nobel da Literatura 2015

A prémio Nobel da Literatura 2015, Svetlana Alexievitch, definiu hoje o regime da Bielorrússia como uma "ditadura suave" na véspera das eleições presidenciais no seu país, dirigido há 21 anos pelo Presidente Alexander Lukashenko.

ler mais em: 
http://www.tsf.pt/internacional/interior/nobel_da_literatura_diz_que_bielorrussia_vive_uma_ditadura_suave__4827818.html

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Formar Leitores para Ler o Mundo: depoimentos na Casa da Leitura



“No âmbito do Congresso Internacional de Promoção da Leitura, o projecto Gulbenkian Casa da Leitura decidiu lançar um amplo debate junto de especialistas portugueses, brasileiros e espanhóis, a propósito do seu tema central: «Formar Leitores para Ler o Mundo». Convocámos leitores, escritores, promotores de leitura, professores, ilustradores, bibliotecários, investigadores, mas também fotógrafos, cientistas, leitores, editores e livreiros, quebrando deste modo as barreiras físicas da conferência, lançando o debate antes mesmo do início da conferência.
Ler mais em http://magnetesrvk.no-ip.org/casadaleitura/portalbeta/bo/documentos/depoimentos2.pdf

terça-feira, 15 de setembro de 2015

ABC...K

NATURALIDADE

Europeu, me dizem.

Eivam-me de literatura e doutrina
europeias
e europeu me chamam.

Não sei se o que escrevo tem a raiz de algum
pensamento europeu.
É provável... Não. É certo,
mas africano sou.
Pulsa-me o coração ao ritmo dolente
desta luz e deste quebranto.
Trago no sangue uma amplidão
de coordenadas geográficas e mar índico.
Rosas não me dizem nada,
caso-me mais à agrura das micaias
e ao silêncio longo e roxo das tardes
com gritos de aves estranhas.

Chamais-me europeu? Pronto, calo-me.
Mas dentro de mim há savanas de aridez
e planuras sem fim
com longos rios langues e sinuosos,
uma fita de fumo vertical,
um negro e uma viola estalando.
Rui Knopfli, O país dos outros, 1959


Consulta em 15/09/2015 em http://folhadepoesia.blogspot.pt/2013/06/o-euromocambicano-rui-knopfli.html 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

ABC de poemas letra J

Inteligência, dá-me o nome exacto das coisas


Inteligência, dá-me 
o nome exacto das coisas! 
... Minha palavra seja 
a própria coisa, 
criada por minha alma novamente. 


Que por mim cheguem todos 
os que não as conhecem, às coisas; 
que por mim cheguem todos, 
os que já as esquecem, às coisas; 
que por mim cheguem todos 
os próprios que as amam, às coisas... 
Inteligência, dá-me 
o nome exacto, e teu, 
e seu, e meu, das coisas. 



Juan Ramón Jiménez, in "Eternidades" 
Tradução de José Bento
Consulta em linha 11 de setembro de 2015 em URL:  

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Letra H...

A Possibilidade de uma Ilha

Minha vida, minha vida, minha muito ancestral 
Mal cumprido o meu primeiro voto 
Repudiado o meu primeiro amor, 
Precisei do teu retorno. 

Precisei de conhecer 
O que a vida tem de melhor, 
Quando dois corpos brincam com a felicidade 
E se unem e renascem sem fim. 

Dominado por uma dependência total, 
Sei o estremecimento do ser 
A hesitação em desaparecer, 
O sol que incide de través 

E o amor, onde tudo é fácil, 
Onde tudo é dado no momento; 
Existe no meio do tempo 
A possibilidade de uma ilha. 


Michel Houellebecq, in "A Possibilidade de uma Ilha" 

terça-feira, 7 de julho de 2015

Sugestões de leitura de verão II

Policial - O Médico e o Monstro/Robert Louis Stevenson
Fantástico - Frankenstein/Mary Shelley
Ficção -  O Livro das Lendas/Selma Lagerlof

terça-feira, 30 de junho de 2015

Letra G de Gedeão "Pedra filosofal"


Eles não sabem que o sonho 
é uma constante da vida 
tão concreta e definida 
como outra coisa qualquer, 
como esta pedra cinzenta 
em que me sento e descanso, 
como este ribeiro manso 
em serenos sobressaltos, 
como estes pinheiros altos 
que em verde e oiro se agitam, 
como estas aves que gritam 
em bebedeiras de azul. 


Eles não sabem que o sonho 
é vinho, é espuma, é fermento, 
bichinho álacre e sedento, 
de focinho pontiagudo, 
que fossa através de tudo 
num perpétuo movimento. 



Eles não sabem que o sonho 
é tela, é cor, é pincel, 
base, fuste, capitel, 
arco em ogiva, vitral, 
pináculo de catedral, 
contraponto, sinfonia, 
máscara grega, magia, 
que é retorta de alquimista, 
mapa do mundo distante, 
rosa-dos-ventos, Infante, 
caravela quinhentista, 
que é Cabo da Boa Esperança, 
ouro, canela, marfim, 
florete de espadachim, 
bastidor, passo de dança, 
Colombina e Arlequim, 
passarola voadora, 
pára-raios, locomotiva, 
barco de proa festiva, 
alto-forno, geradora, 
cisão do átomo, radar, 
ultra-som, televisão, 
desembarque em foguetão 
na superfície lunar. 



Eles não sabem, nem sonham, 
que o sonho comanda a vida. 
Que sempre que um homem sonha 
o mundo pula e avança 
como bola colorida 
entre as mãos de uma criança. 

António Gedeão, in 'Movimento Perpétuo' 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

ABC de poemas letra E

Ode à Amizade

Se depois do infortúnio de nascermos
Escravos da Doença e dos Pesares
Alvos de Invejas, alvos de Calúnias
    Mostrando-nos a campa
A cada passo aberta o Mar e a Terra;
Um raio despedido, fuzilando
Terror e morte, no rasgar das nuvens
    O tenebroso seio
A Divina Amizade não viera
Com piedosa mão limpar o pranto,
Embotar com dulcíssono conforto
    As lanças da Amargura;
O Sábio espedaçara os nós da vida
Mal que a Razão no espelho da Experiência
Lhe apontasse apinhados inimigos
    C'o as cruas mãos armadas;
Terna Amizade, em teu altar tranquilo
Ponho — por que hoje, e sempre arda perene
O vago coração, ludíbrio e jogo
    Do zombador Tirano.
Amor me deu a vida: a vida enjeito,
Se a Amizade a não doura, a não afaga;
Se com mais fortes nós, que a Natureza,
    Lhe não ata os instantes.
Que só ditosos são na aberta liça
Dois mortais, que nos braços da Amizade,
Estreitos se unem, bebem de teu seio
    Nectárea valentia.
Tu cerceias o mal, o bem dilatas,
E as almas que cultivas cuidadosa,
Com teu suave alento aformosentam-se
    Medradas e viçosas.
Caia a Desgraça, mais que o raio aguda
Rebente sobre a fronte ao mal votada,
Mais lenta é a queda, menos cala o golpe
    No manto da Amizade:
E se desce o Prazer, com ledo rosto
A alumiar o peito de Filinto,
A chama sobe, e vai prender seu lume
    Na alma do fido Amigo.

Filinto Elísio, in "Odes"

quarta-feira, 3 de junho de 2015

ABC dos poemas (Letra D)

Ai Flores do Verde Pino


__ Ai flores, ai flores do verde pino, 
se sabedes novas do meu amigo! 
    Ai Deus, e u é? 

__ Ai flores, ai flores do verde ramo, 
se sabedes novas do meu amado! 
    Ai Deus, e u é? 

Se sabedes novas do meu amigo, 
aquel que mentiu do que pôs comigo! 
    Ai Deus, e u é? 

Se sabedes novas do meu amado, 
aquel que mentiu do qui mi á jurado! 
    Ai Deus, e u é? 

__ Vós me perguntardes polo voss'amigo, 
e eu bem vos digo que é san'vivo. 
    Ai Deus, e u é? 

Vós me perguntardes polo voss'amado, 
e eu bem vos digo que é viv'e sano. 
    Ai Deus, e u é? 

E eu bem vos digo que é san'vivo 
e seera vosc'ant'o prazo saído. 
    Ai Deus, e u é? 

E eu bem vos digo que é viv' e sano 
e seera vosc'ant'o prazo passado 
    Ai Deus, e u é? 

D. Dinis, in 'Antologia Poética'

sexta-feira, 6 de março de 2015

Dia 8 de Março: ler as poetisas portuguesas

Ode à Paz

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
Pela branda melodia do rumor dos regatos,

Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz.
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
                               deixa passar a Vida!

Natália Correia, in "Inéditos (1985/1990)" 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Os autores e os livros I: Lídia Jorge (em "O meu primeiro livro" do Jornal de Letras)


"O JL pediu a 14 conhecidos escritores (e a outros pedirá), de várias gerações, que escrevessem uma espécie de testemunho sobre o seu primeiro livro, com cerca de 2500 a 3000 carateres, sob o ângulo que entendessem. Lídia Jorge deu o seu testemunho ao JL."

Ler mais: http://visao.sapo.pt/dadiva=f806262#ixzz3RFJwGKBK

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Ler e aprender: Desafio "Viagens no tempo"

O Dia do Terramoto
Lê e aprende
O primeiro desafio da coleção "Viagens no tempo" é sobre o seguinte livro:

Título: O Dia do Terramoto
Autores: Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada; Arlindo Fagundes (ilustrador)
Editorial Caminho
Coleção "Viagens no tempo", n.º 7

Saber mais http://www.uma-aventura.pt/index.php?s=livros&id=53