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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Este livro é a minha cara!

Tira uma fotografia com a cara  tapada pela capa de um livro que tu gostavas/gostastes de ler!

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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Ler Mais Ler Melhor Vida e Obra de Alexandre O'Neill (vídeo)


ABC ... O

Aos Vindouros, se os Houver...

Vós, que trabalhais só duas horas 
a ver trabalhar a cibernética, 
que não deixais o átomo a desoras 
na gandaia, pois tendes uma ética; 

que do amor sabeis o ponto e a vírgula 
e vos engalfinhais livres de medo, 
sem peçários, calendários, Pílula, 
jaculatórias fora, tarde ou cedo; 

computai, computai a nossa falha 
sem perfurar demais vossa memória, 
que nós fomos pràqui uma gentalha 
a fazer passamanes com a história; 

que nós fomos (fatal necessidade!) 
quadrúmanos da vossa humanidade. 

Alexandre O'Neill, in 'Poemas com Endereço

Vincius de Moraes lê Pablo Neruda


terça-feira, 10 de novembro de 2015

ABC ...N de Neruda

Não Me Sinto Mudar


Não me sinto mudar. Ontem eu era o mesmo.
O tempo passa lento sobre os meus entusiasmos
cada dia mais raros são os meus cepticismos,
nunca fui vítima sequer de um pequeno orgasmo

mental que derrubasse a canção dos meus dias
que rompesse as minhas dúvidas que apagasse o meu nome.
Não mudei. É um pouco mais de melancolia,
um pouco de tédio que me deram os homens.

Não mudei. Não mudo. O meu pai está muito velho.

As roseiras florescem, as mulheres partem
cada dia há mais meninas para cada conselho
para cada cansaço para cada bondade.

Por isso continuo o mesmo. Nas sepulturas antigas
os vermes raivosos desfazem a dor,
todos os homens pedem de mais para amanhã
eu não peço nada nem um pouco de mundo.

Mas num dia amargo, num dia distante
sentirei a raiva de não estender as mãos
de não erguer as asas da renovação.

Será talvez um pouco mais de melancolia
mas na certeza da crise tardia
farei uma primavera para o meu coração.

Pablo Neruda, in 'Cadernos de Temuco'
Tradução de Albano Martins

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Vinicius de Moraes (ABC...M)


ABC...M(oraes)




Mar











Na melancolia de teus olhos
Eu sinto a noite se inclinar
E ouço as cantigas antigas
Do mar.

Nos frios espaços de teus braços
Eu me perco em carícias de água
E durmo escutando em vão
O silêncio.

E anseio em teu misterioso seio
Na atonia das ondas redondas
Náufrago entregue ao fluxo forte
Da morte.

Vinicius de Moraes

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Biografia de Frederico Garcia Lorca (ABC letra L)

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A vida e obra de García Lorca pelo que foram e são adquiriram uma grandeza mítica com o poeta ainda vivo, dimensão que aumentou com a sua morte prematura e trágica, a Guerra Civil espanhola de 1936-1939, o silenciamento que o poder franquista impôs à sua obra, à sua ida, à sua morte.
Hoje, passados, mais de 60 anos sobre a madrugada de Agosto de 1936 em que o poeta se tornou um dos símbolos da Espanha martirizada, investigada a sua vida e sujeita a notáveis esforços de revisão textual a sua obra, podemos ter do poeta uma imagem desmistificada, em que ele deixou de ser alguém puramente mágico e o poeta os ciganos, para ser visto como um homem perturbado pelas suas inquietações íntimas e anseios artísticos múltiplos, consciente dos meios que procurava para a obra que escreveu com febril entusiasmo e domínio total os elementos que empregava, que fizeram dele um dos maiores escritores espanhóis do século XX. A sua obra desvenda alguém com o coração ferido, dominado sempre por agouros e ameaças de morte, para quem o amor raramente é plenitude, sendo um espaço desolado e sombrio.


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Prémio Nobel da Literatura 2015

A prémio Nobel da Literatura 2015, Svetlana Alexievitch, definiu hoje o regime da Bielorrússia como uma "ditadura suave" na véspera das eleições presidenciais no seu país, dirigido há 21 anos pelo Presidente Alexander Lukashenko.

ler mais em: 
http://www.tsf.pt/internacional/interior/nobel_da_literatura_diz_que_bielorrussia_vive_uma_ditadura_suave__4827818.html

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Formar Leitores para Ler o Mundo: depoimentos na Casa da Leitura



“No âmbito do Congresso Internacional de Promoção da Leitura, o projecto Gulbenkian Casa da Leitura decidiu lançar um amplo debate junto de especialistas portugueses, brasileiros e espanhóis, a propósito do seu tema central: «Formar Leitores para Ler o Mundo». Convocámos leitores, escritores, promotores de leitura, professores, ilustradores, bibliotecários, investigadores, mas também fotógrafos, cientistas, leitores, editores e livreiros, quebrando deste modo as barreiras físicas da conferência, lançando o debate antes mesmo do início da conferência.
Ler mais em http://magnetesrvk.no-ip.org/casadaleitura/portalbeta/bo/documentos/depoimentos2.pdf

terça-feira, 15 de setembro de 2015

ABC...K

NATURALIDADE

Europeu, me dizem.

Eivam-me de literatura e doutrina
europeias
e europeu me chamam.

Não sei se o que escrevo tem a raiz de algum
pensamento europeu.
É provável... Não. É certo,
mas africano sou.
Pulsa-me o coração ao ritmo dolente
desta luz e deste quebranto.
Trago no sangue uma amplidão
de coordenadas geográficas e mar índico.
Rosas não me dizem nada,
caso-me mais à agrura das micaias
e ao silêncio longo e roxo das tardes
com gritos de aves estranhas.

Chamais-me europeu? Pronto, calo-me.
Mas dentro de mim há savanas de aridez
e planuras sem fim
com longos rios langues e sinuosos,
uma fita de fumo vertical,
um negro e uma viola estalando.
Rui Knopfli, O país dos outros, 1959


Consulta em 15/09/2015 em http://folhadepoesia.blogspot.pt/2013/06/o-euromocambicano-rui-knopfli.html 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

ABC de poemas letra J

Inteligência, dá-me o nome exacto das coisas


Inteligência, dá-me 
o nome exacto das coisas! 
... Minha palavra seja 
a própria coisa, 
criada por minha alma novamente. 


Que por mim cheguem todos 
os que não as conhecem, às coisas; 
que por mim cheguem todos, 
os que já as esquecem, às coisas; 
que por mim cheguem todos 
os próprios que as amam, às coisas... 
Inteligência, dá-me 
o nome exacto, e teu, 
e seu, e meu, das coisas. 



Juan Ramón Jiménez, in "Eternidades" 
Tradução de José Bento
Consulta em linha 11 de setembro de 2015 em URL:  

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Letra H...

A Possibilidade de uma Ilha

Minha vida, minha vida, minha muito ancestral 
Mal cumprido o meu primeiro voto 
Repudiado o meu primeiro amor, 
Precisei do teu retorno. 

Precisei de conhecer 
O que a vida tem de melhor, 
Quando dois corpos brincam com a felicidade 
E se unem e renascem sem fim. 

Dominado por uma dependência total, 
Sei o estremecimento do ser 
A hesitação em desaparecer, 
O sol que incide de través 

E o amor, onde tudo é fácil, 
Onde tudo é dado no momento; 
Existe no meio do tempo 
A possibilidade de uma ilha. 


Michel Houellebecq, in "A Possibilidade de uma Ilha" 

terça-feira, 7 de julho de 2015

Sugestões de leitura de verão II

Policial - O Médico e o Monstro/Robert Louis Stevenson
Fantástico - Frankenstein/Mary Shelley
Ficção -  O Livro das Lendas/Selma Lagerlof

terça-feira, 30 de junho de 2015

Letra G de Gedeão "Pedra filosofal"


Eles não sabem que o sonho 
é uma constante da vida 
tão concreta e definida 
como outra coisa qualquer, 
como esta pedra cinzenta 
em que me sento e descanso, 
como este ribeiro manso 
em serenos sobressaltos, 
como estes pinheiros altos 
que em verde e oiro se agitam, 
como estas aves que gritam 
em bebedeiras de azul. 


Eles não sabem que o sonho 
é vinho, é espuma, é fermento, 
bichinho álacre e sedento, 
de focinho pontiagudo, 
que fossa através de tudo 
num perpétuo movimento. 



Eles não sabem que o sonho 
é tela, é cor, é pincel, 
base, fuste, capitel, 
arco em ogiva, vitral, 
pináculo de catedral, 
contraponto, sinfonia, 
máscara grega, magia, 
que é retorta de alquimista, 
mapa do mundo distante, 
rosa-dos-ventos, Infante, 
caravela quinhentista, 
que é Cabo da Boa Esperança, 
ouro, canela, marfim, 
florete de espadachim, 
bastidor, passo de dança, 
Colombina e Arlequim, 
passarola voadora, 
pára-raios, locomotiva, 
barco de proa festiva, 
alto-forno, geradora, 
cisão do átomo, radar, 
ultra-som, televisão, 
desembarque em foguetão 
na superfície lunar. 



Eles não sabem, nem sonham, 
que o sonho comanda a vida. 
Que sempre que um homem sonha 
o mundo pula e avança 
como bola colorida 
entre as mãos de uma criança. 

António Gedeão, in 'Movimento Perpétuo' 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

ABC de poemas letra E

Ode à Amizade

Se depois do infortúnio de nascermos
Escravos da Doença e dos Pesares
Alvos de Invejas, alvos de Calúnias
    Mostrando-nos a campa
A cada passo aberta o Mar e a Terra;
Um raio despedido, fuzilando
Terror e morte, no rasgar das nuvens
    O tenebroso seio
A Divina Amizade não viera
Com piedosa mão limpar o pranto,
Embotar com dulcíssono conforto
    As lanças da Amargura;
O Sábio espedaçara os nós da vida
Mal que a Razão no espelho da Experiência
Lhe apontasse apinhados inimigos
    C'o as cruas mãos armadas;
Terna Amizade, em teu altar tranquilo
Ponho — por que hoje, e sempre arda perene
O vago coração, ludíbrio e jogo
    Do zombador Tirano.
Amor me deu a vida: a vida enjeito,
Se a Amizade a não doura, a não afaga;
Se com mais fortes nós, que a Natureza,
    Lhe não ata os instantes.
Que só ditosos são na aberta liça
Dois mortais, que nos braços da Amizade,
Estreitos se unem, bebem de teu seio
    Nectárea valentia.
Tu cerceias o mal, o bem dilatas,
E as almas que cultivas cuidadosa,
Com teu suave alento aformosentam-se
    Medradas e viçosas.
Caia a Desgraça, mais que o raio aguda
Rebente sobre a fronte ao mal votada,
Mais lenta é a queda, menos cala o golpe
    No manto da Amizade:
E se desce o Prazer, com ledo rosto
A alumiar o peito de Filinto,
A chama sobe, e vai prender seu lume
    Na alma do fido Amigo.

Filinto Elísio, in "Odes"

quarta-feira, 3 de junho de 2015

ABC dos poemas (Letra D)

Ai Flores do Verde Pino


__ Ai flores, ai flores do verde pino, 
se sabedes novas do meu amigo! 
    Ai Deus, e u é? 

__ Ai flores, ai flores do verde ramo, 
se sabedes novas do meu amado! 
    Ai Deus, e u é? 

Se sabedes novas do meu amigo, 
aquel que mentiu do que pôs comigo! 
    Ai Deus, e u é? 

Se sabedes novas do meu amado, 
aquel que mentiu do qui mi á jurado! 
    Ai Deus, e u é? 

__ Vós me perguntardes polo voss'amigo, 
e eu bem vos digo que é san'vivo. 
    Ai Deus, e u é? 

Vós me perguntardes polo voss'amado, 
e eu bem vos digo que é viv'e sano. 
    Ai Deus, e u é? 

E eu bem vos digo que é san'vivo 
e seera vosc'ant'o prazo saído. 
    Ai Deus, e u é? 

E eu bem vos digo que é viv' e sano 
e seera vosc'ant'o prazo passado 
    Ai Deus, e u é? 

D. Dinis, in 'Antologia Poética'

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Proposta poema II

Uma ponte, duas margens,
Um abraço, muitas viagens.

A ponte é um abraço,
Aproximando amigos.
A ponte é um traço,
Atando margens.

Construímos uma ponte,
Atando duas margens.
Lançamos um abraço,
Definindo mil viagens.
Desenhamos um traço,
Transpomos um monte.

Nós, ignorantes, partimos
Rumo à outra margem.
A cada passo, descobrimos
O sentido da viagem.
Aprendemos que aprender
É uma ponte que construímos.

As viagens que desenhamos
São pontes entre lugares,
Lançando longos abraços
Que ultrapassam mares.
Nos mapas são traços
Por onde vamos.

Na viagem aprendemos:
Viver é um longo caminhar.
A cada milha que percorremos,
Sentimos vontade de continuar,
Inquietos, compreendemos
Que o caminho está a iniciar.


MA 61

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Proposta de poema I

Deram-lhe o mar
Esqueceram-se de o ensinar
A navegar.

Deram-lhe o céu
Esqueceram-se de construir
Asas para voar.

Deram-lhe um mapa
Esqueceram-se da bússola
Para o orientar.

As palavras invadiram os seus dias,
Cada letra parecia-se com o demo.
O alfabeto era um país afastado,
Sentia-se perdido,
Onde nunca tinha estado.


MA 61